09 setembro 2007

Proclamação:

Não tenho nunca mais, não tenho sempre. Na areia
a vitória deixou seus pés perdidos.
Sou um pobre homem disposto a amar seus semelhantes.
Não sei quem és. Te amo. Não dou, não vendo espinhos.

Alguem saberá que não teci coroas
sangrentas, que combati o engano,
e que em verdade enchi a preamar de minha alma.
Eu paguei a vileza com pombas.

Eu não tenho jamais porque distinto
fui, sou, serei. E em nome
do meu mutante amor proclamo a pureza.

A morte é só pedra do esquecimento.
Te amo, beijo em tua boca a alegria.
Tragamos lenha. Faremos fogo na montanha.

(Pablo Neruda)

06 setembro 2007

Constatação


Quando conjuguei: eu amo, deixei sem queres me escapar a poesia.

Desde então, vim a saber que só sabia escrever as ausências.
.................. verso, prosa e arritmia, só no vácuo.

Reflexão


O problema sempre foi o tempo
.............. o tempo de banhar, o tempo de comer, o tempo de dormir, a tempo
........a tempo de sorrir, a tempo de cantar, a tempo de querer, a tempo de ouvir
o tempo

28 julho 2007

À amiga ouvinte II.

Sim, amiga, te falo...

seriam menos, as dores, seriam menos as noites frias, se a voz guardada, interna, sentida, tivesse receptáculo caloroso, terno, compreensível...

Sim, te falo...

da extrema solidão coberta dos olhos, tão alheios...
te falo da raiva que estrangula as ocultas
.............. da raiva que se apondera do corpo e machuca.

Me calo, por fim, pela indizivel delicadeza de ser só.

18 julho 2007

À amiga ouvinte.


Sim menina, eu estou bem...

Complexo - eu, você, qualquer um - é o ser humano.

Quanto a profundidade, ao meu ver, é a grande questão.

Até que ponto submergimos em nós mesmos sem nos perder?
Há um fim?
Alcançar o profundo é uma escolha, como uma busca, ou resultado do viver?

Sim, tive acesso a profundeza de mim, partes dela certamente... início, meio , fim... sabe-se lá!

Sou uma menina meu anjo, mas vejo. Vejo pelos poros. Cego-me de tempo em tempo.

Sim, há marcas...

Como sou feliz por elas, tornam-me viva! Fazem de mim como a uma árvore ao estender suas raízes por lugares seguros... água!

Quanto aos dragões, se despertam, olho-os nos olhos, ouço-os e os faço ouvir. Acredito no diálogo sincero. Meu caminho.

Ainda me assusta ser surpreendida, falta-me chão, sinto na nuca a chama dos dragões reativando seus fogos de narinas... dois passos para frente... três para trás.

Até que tudo se reveste do conhecido e abrando o susto, saltando-o para mais uma experiência onde pérolas me são adicionadas (reconheço as perdas também).

Medo... o peso!

Sim, há pesos que me compõem.
Resistem alguns de tal forma que chego a pensar me serem charmes.
Terminam por se tornarem mesmo, mas não me agrada quando se tornam referências de mim... nem pelo o que atrai.

Falemos agora do simples.

O simples em mim, se desejas saber, está no meu cotidiano.
No bom dia ao cruzar a roleta do ônibus, ao cumprimentar um(a) estranho com um sorriso, ao acariciar uma cabecinha pueril que me passa de relance, ao trocar palavras num banco de praça com um cego, um surdo, um velho, um intelectual, um louco...

O simples está no bem viver os momentos mais tolos e mais efêmeros que surgem ao acaso.

O simples reside em dar vazão ao bem-querer à humanidade.

O simples é ver as respostas retornarem positivas ao deixar fluir o meu amor à vida e seus componentes.

Sim, meu bem, tenho um "quê" de simples... e te confesso como o meu recinto mais sagrado.

Estou feliz, sinto o fluxo da minhas ações seguras, resultante da paciência de treinos e treinos.

Sim, é possível que me compreendas mais pelos meus textos, sou eu em palavras!

Gosto de você.
Faz-me sua amiga, faz-me crescer por onde tem mais segurança do que eu. (um apelo.)

Vou dormir o sono dos justos...

17 junho 2007

Menino que morde como quem beija



Menino que morde como quem beija
.... que fala como quem canta
....recebe o beijo de quem chora
............. e clama como quem geme ...

(. . .)

E esse menino
.......... o que morde como quem beija
.................... me cantou uma canção.
Falava de uma mulher
............... uma que sabia ser amada.
E esse menino
........... que fala como que canta
................. morde como quem beija
beija outra
morde outra
.......... e me deixa tatuada.
Sim, esse menino cruel e delicado.




(. . .)

Mas esse menino
.......................... o cruel e delicado
diz ser meu
................. e
me canta
me chama
me clama
me olha
.......... me torna
....................... me dança.
E tem medo.


(. . .)


Menino
........ [o que tem medo
............................ e diz que é meu
.... come no teu prato
.................... este que é só teu.



Despe-me das fêmeas revistas
........................
e vê a pele branca à sombra da lua fria.





Sim
....... tens razão
..."nenhum isqueiro é igual ao teu."





E as mulheres são como os isqueiro.
A diferença se vê quando se tem a sua




e a sabe ter.

(fevereiro/2006)

Não caibo

Aquieta-te menino
................ não vês?
Não caibo apenas na cama.
Não caibo nos teus delirios.
Não caibo no medo de não ter a outra.
Falta-me espaço
pra ti mostrar a dança
a música interna
o frio dos dias delicados
a loucura da mente
a lucidez das verdades adquiridas
as letras escritas
as mãos descalças de quem percebe os pequenos ruídos.

Não vês menino
............. que estarei sozinha quando a chuva decidir cair?
Por que a voz rouca e mansa e as mãos macias
......... se planejas
...................... (não) as ocultas
........................................ me deixar?
Não menino
.......... morde como quem beija
................................ mas fere como quem acaricia.

Ainda durmo sozinha.
(fevereiro/2006)
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