17 junho 2007

Menino que morde como quem beija



Menino que morde como quem beija
.... que fala como quem canta
....recebe o beijo de quem chora
............. e clama como quem geme ...

(. . .)

E esse menino
.......... o que morde como quem beija
.................... me cantou uma canção.
Falava de uma mulher
............... uma que sabia ser amada.
E esse menino
........... que fala como que canta
................. morde como quem beija
beija outra
morde outra
.......... e me deixa tatuada.
Sim, esse menino cruel e delicado.




(. . .)

Mas esse menino
.......................... o cruel e delicado
diz ser meu
................. e
me canta
me chama
me clama
me olha
.......... me torna
....................... me dança.
E tem medo.


(. . .)


Menino
........ [o que tem medo
............................ e diz que é meu
.... come no teu prato
.................... este que é só teu.



Despe-me das fêmeas revistas
........................
e vê a pele branca à sombra da lua fria.





Sim
....... tens razão
..."nenhum isqueiro é igual ao teu."





E as mulheres são como os isqueiro.
A diferença se vê quando se tem a sua




e a sabe ter.

(fevereiro/2006)

Não caibo

Aquieta-te menino
................ não vês?
Não caibo apenas na cama.
Não caibo nos teus delirios.
Não caibo no medo de não ter a outra.
Falta-me espaço
pra ti mostrar a dança
a música interna
o frio dos dias delicados
a loucura da mente
a lucidez das verdades adquiridas
as letras escritas
as mãos descalças de quem percebe os pequenos ruídos.

Não vês menino
............. que estarei sozinha quando a chuva decidir cair?
Por que a voz rouca e mansa e as mãos macias
......... se planejas
...................... (não) as ocultas
........................................ me deixar?
Não menino
.......... morde como quem beija
................................ mas fere como quem acaricia.

Ainda durmo sozinha.
(fevereiro/2006)
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08 maio 2007

FESTA SURPRESA


Local escolhido, limpado e posto. As três moças , duas amigas e a terceira escolhida por intimidades recentes e ampliada com o aniversariante, compondo o ambiente, junto ao bolo festivo e guloseimas outras... A relação entre as amigas e a outra se desenvolvia no desejo de ver sorrir o rapaz querido.
Mas agora contextualizemos o rapaz. Era ele belo pelo elo menino-homem. Despojado da estética padrão modista, estava sempre a usar suas vestimentas e acessórios particulares, tão essencialmente seus que em outros tornavam-se trapos. O rapaz era sensível, mambembe, musical e de humores estranhos, variados... Mas o mais importante é que era amado, não só pelas moças que o preparavam a festa, mas por todos os demais amigos convidados a aniversariá-lo.
Já que falei do amor das moças, falemos deles. Sim deles, porque cada amor era um de acordo com as moças. Entre as duas amigas rendiam amores bem semelhantes pelo rapaz, pequenas mudanças apenas por mais ou menos convivência com o mesmo, ou seja, mais ou menos lembranças. As duas o conheciam em profundidade. Sabiam-lhe os medos, as angustias, as revoltas, as paixões e os quereres. Eram-lhe amigas. Quanto ao amor da terceira só se sabia da paixão crescente pelo aniversariante. Mas essas diferenças só se fazem visíveis durante a festa.
Inicia a chegada dos convidados: o primeiro, um estranho, conhecido da terceira; o segundo, um grupo estranho, conhecidos da terceira. As duas amigas entreolham-se e caminham a um local reservado, saindo com desculpas de organizações ainda pendentes. E neste instante constatam a falha grave: o convite à terceira.
O rapaz aniversariante, de humores estranhos, encontrava-se em momento delicado, fugindo de euforias e sedento de tranqüilidade. O aniversario anterior havia sido sofrido, frio, ausente de amores e amigos (salvo por uma ligação a uma das amigas, que o acalentou e se fez presente). As amigas perceptivas das sensações do rapaz quiseram oferece-lhe este ambiente tranqüilo, ausente pelos acréscimos das relações emergentes. Meia-luz, musica ao som do vento, guloseimas e inebriantes e a companhia dos velhos amigos, talvez uns seis, sentados no chão, leves no falatório e na ação, descontraídos.
Mas não foi assim que se deu, estranhos e amigos ocuparam a sala, os volumes só tendiam a crescer, assim como o espanto e a frustração das amigas. A chegada do aniversariante agravou a tensão delas que leram imediatamente o desaponto em sua expressão (derivado do encontro na entrada com uma dezena de carros estacionados), enquanto a terceira saltitante comemorava os créditos da sua participação perante ele.
E nesse clima se desenrolou a festa, triplicado em gênero, numero e grau do ideal almejado pelas amigas, o que deveria ser o presente oferecido. Quanto ao rapaz, terminou por ceder ao movimento, enlaçou uma quarta, para a desilusão da terceira (logo curada pela companhia, no quarto de visitas, de um outro rapaz) e se fez viver mais uma vez neste ambiente desgostoso e indesejado, sempre nobre.
A festa chegada ao fim, a casa vazia, marcas por todos os cômodos do seu usufruto e as amigas, estáticas e silenciadas, recolhem-se às camas, desarrumadas.

22 fevereiro 2007

O que tem dentro?

Professora para menina de 6 anos:
- Olha só... um ninho! Você sabe pra que serve um ninho?
- Pro passarinho colocar um ovo tia.
- Pois é, ele fica lá, sentadinho em cima do ovo, aquecendo o ovo... e depois o que é que sai de dentro do ovo?
Instantaneamente:
- Comida tia Suzane, comida!
Diz com muita precisão e satisfação.

16 fevereiro 2007

Jesus tinha crânio?

Menino de 7 anos:
- Tia, o crânio fica na cabeça?
- Fica sim, é a parte dura, ossos, que protegem o cérebro.
Silêncio. O menino coça a cabeça.
- Tia, e Jesus tinha crânio?
- Ah se ele morou por aqui certamente devia ter...
Olhinhos para um lado, muda a posição.
- Mas não foi jesus quem criou tudo?!
- É o que diz o cristianismo...
- Mas tia... se ele já tinha crânio como é que foi ele quem inventou tudo?!
- ...

Tarefa rápida

Menino de 12 anos:
"- Oh tia deixa eu jogar mais um poquinho, minha tarefa hoje é bem rapidinha, é só pra escrever o que é a verdade!"